21 de agosto de 2014

TEMPO DE ELEIÇÃO É TEMPO DE REFLEXÃO

Fábio Coimbra

“Enquanto forem permitidas campanhas eleitorais milionárias haverá corrupção no governo, pois alguém precisará pagar a conta da campanha, certo? Ninguém doa tanto dinheiro para uma campanha eleitoral à toa. Não existe tanto idealismo assim, neste mundo, ou a humanidade não padeceria de tantos males”. (AUGUSTO BRANCO)


Como já dizia Sócrates, “uma vida que não é refletida não vale apena ser vivida”. Sócrates estava certo ao dizer isso, e estaria ainda mais em nossos dias se os homens de nossa época levassem em conta a pertinência da racionalidade e a prudência no ato de agir e pensar.

“A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si”. (ARISTÓTELES)

Nesses tempos de campanha, fico pensando e observando o quanto a falta de conhecimento crítico e sistemático a propósito dos princípios ainda persiste como obstáculo para a construção de uma sociedade democratizada. Como bem refere o intelectual brasileiro Milton Santos, “Nós simplesmente ainda não sabemos do que falamos quando falamos em democracia”. Ainda é um discurso vago e banal que a cada dia mais é banalizado pelos ratos e cupins que, passo a passo, destroem os ideais e anseios de um povo. Democracia nos dias atuais ainda é uma ideia que serve mais para beneficiar os ladrões – sob o discurso que vivemos num estado democrático de direito – do que para promover melhoras na vida de cada membro da sociedade a partir das liberdades fundamentais que só essa forma de governo pode propiciar a um povo

A gente esvaziou a palavra democracia de conteúdo. Continua-se falando em uma democracia sem saber muito bem do que se está falando. Nós utilizamos uma série de conceitos que vêm de um outro tempo – e que [se] tornam vazios porque o tempo mudou! – da maneira que é convincente. Usa-se o conceito de democracia com referência ao meramente eleitoral. O resto – a representatividade, a responsabilidade, tudo isso – perdeu força. (MILTON SANTOS)

A propósito do direito, cumpre ressaltar que ele é um dos braços fortes que sustenta a corrupção no Brasil. Ninguém pode duvidar da imensa contribuição do direito – por meio do trabalho dos advogados – para a continuidade das mazelas sociais que todos os dias vitimam um numero enorme de pessoas despossuídas, sobretudo, do ponto de vista econômico. Os advogados, todos de olho grande na bufunfa – são eles que defendem os saqueadores e ladrões dos cofres públicos que, protegidos e tendo certeza da proteção, se sentem bem a vontade para enriquecer roubando o que é dos pobres. O direito é, sem sombra de dúvida, um dos piores inimigos da democracia. Os tribunais são verdadeiros cérebros da corrupção, de modo que hoje não se sabe onde é que tem mais corrupto: se é na política, ou se é no direito; sé é no congresso nacionail, sedes de governos estaduais e prefeituras, ou se é nos diversos tipos de tribunais.

Duas pontas: o Corruptor, aquele particular que tem interesses mesquinhos e ilegais a defender, e o Corrompido, o magistrado, o chamado "bandido de toga", nas palavras da destemida ministra Eliana Calmon. E fazendo a ligação entre eles o que eu chamo aqui de "advocacia de esgoto", o advogado que faz o "leva-e-traz" entre as duas pontas podres do sistema. Tudo uma grande e malcheirosa imundície, como se vê. [1]

“Como disse alguém uma vez: o mundo seria melhor se os homens de bem tivesse a ousadia dos canalhas”.

Referências


ARISTÓTELES. A Política. Trad. Roberto L. Ferreira. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.


_______. Ética a Nicômaco. Tradução de Edson Bini. Baurú, DP: Edipro, 2013.


Acesso em: 21 de agosto de 2014


SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 18 ed. Rio de Janeiro: Record, 2009.



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